Mostrando postagens com marcador Artigos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Artigos. Mostrar todas as postagens

21.9.11

21 de Setembro: Dia da Bibliodiversidade

por Roberta Fraga


Um dos objetos da bibliodiversidade é o livro e seu comportamento no mercado editorial. Uma de suas propostas é discutir alternativas para as diversas crises que o mercado editorial vem passando. Seja pela queda das vendas em razão de novas tecnologias, seja pelo enorme (e crescente) número de autores que se autopublicam, em virtude de um cardápio de opções no mercado.
Mas o que é Bibliodiversidade mesmo?
“Termo datado de 1990, é a diversidade cultural dos livros aplicada ao mundo dos livros e editoras”.
Alterações legislativas (lei de direitos autorais), estratégias comerciais, revisões contratuais, políticas públicas, todos as propostas sempre parecem válidas para, não apenas, corrigir as distorções que o mercado vem sofrendo, como também para democratizar a informação e o acesso aos livros e a novos autores e novos leitores. Aqui, Rodrigo Domit apresenta um interessante trabalho de conclusão de curso sobre o tema.
O desafio não é simples. Não se trata apenas de fazer livros circularem, mas equalizar espécies, fomentar acessos, respeitar culturas. Sim, não é leitura apenas o best seller mercadologicamente imbatível, como também a leitura que retrata a cultura, o costume a vivência de uma comunidade, qualquer que seja a sua temática ou seu formato. Antes, muito antes do surgimento do termo bibliodiversidade, há o universo da diversidade cultural. E aquele, nada mais é, do que a aplicação deste entendimento no foco editorial. Não é à toa que um dos primeiros objetivos da  Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais é proteger e promover a diversidade das expressões culturais.
O Dia 21 de Setembro foi marcado como o Dia Mundial da Bibliodiversidade
E a nós, qual papel nos cabe nisso tudo?

Fonte: http://livroseafins.com/21-de-setembro-dia-da-bibliodiversidade/

11.11.10

Novas estratégias para o Mercado Editorial

DOMIT, Rodrigo. NOVAS ESTRATÉGIAS PARA O MERCADO EDITORIAL NACIONAL COM ÊNFASE EM OBRAS LITERÁRIAS. Trabalho de Conclusão de Curso. UFPR - Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2007.


RESUMO


O presente trabalho trata-se de um planejamento estratégico de comunicação que visa obter dados sobre o cenário do mercado editorial, analisar as estratégias atuais e elaborar novas estratégias que visem a suprir as necessidades das editoras nacionais. Observa-se que as vendas das editoras estrangeiras seguem em ritmo crescente enquanto as editoras nacionais perdem espaço por não investirem em estratégias de comunicação. Procura-se com este trabalho dar maior valorização às ações de mídia espontânea, às ações institucionais e à publicidade de guerrilha em meio às editoras.


Palavras-chave: Mercado editorial - Planejamento estratégico de comunicação - Publicidade de guerrilha - Ações institucionais - Mídia espontânea.


Link 1: Monografia

Link 2: Monografia e Resumo

20.3.10

Pombos pomposos e o petróleo que não é nosso

Entre funcionários públicos liberados às quatro da tarde, milhares de policiais, algumas celebridades, diversas figuras públicas e, por fim, trabalhadores presos pela chuva e pelo congestionamento causado pelo fechamento de suas principais avenidas, o Rio de Janeiro encontrou-se em meio a uma discussão generalizada sobre a mudança nas regras de distribuição dos royalties advindos da exploração do petróleo. No entanto, a discussão ainda permanece extremamente rasa, incoerente e imatura. Por enquanto, trata-se da questão apenas como uma tentativa de roubar o estado e seus municípios, mas ninguém ousa abordar temas mais delicados...


Confira o artigo completo na edição de março do Algo a Dizer - Jornal de Política e Cultura

Pombos pomposos e o petróleo que não é nosso

Entre funcionários públicos liberados às quatro da tarde, milhares de policiais, algumas celebridades, diversas figuras públicas e, por fim, trabalhadores presos pela chuva e pelo congestionamento causado pelo fechamento de suas principais avenidas, o Rio de Janeiro encontrou-se em meio a uma discussão generalizada sobre a mudança nas regras de distribuição dos royalties advindos da exploração do petróleo. No entanto, a discussão ainda permanece extremamente rasa, incoerente e imatura. Por enquanto, trata-se da questão apenas como uma tentativa de roubar o estado e seus municípios, mas ninguém ousa abordar temas mais delicados.
É inegável que os estados e municípios que arcam com os impactos ambientais da exploração devem ter uma contrapartida, mas também é necessário avaliar que a legislação que define a partilha dos recursos (Leis nº 7.990 de 1989 e nº 9.478 de 1997) está defasada em relação à descoberta, em 2006, de uma enorme quantidade de petróleo na camada do pré-sal. No entanto, além de ser necessário debater os benefícios para a União, que tem o direito sobre o petróleo, e a compensação aos Estados e Municípios afetados pela produção e pelo escoamento, é necessário colocar em pauta a transparência na aplicação dos recursos advindos dos royalties, tema que foi discretamente abordado - e apenas pelo Fernando Gabeira - durante o show protesto desta quarta-feira no centro do Rio de Janeiro. É preciso discutir sobre o destino dos recursos, mas é ainda mais importante tornar transparente a sua aplicação, onde quer que seja. Durante a semana, governadores e prefeitos deram entrevistas falando sobre o fechamento de hospitais e escolas, incapacidade de pagar aposentadorias, inviabilização da Copa do Mundo, das Olimpíadas e de tudo o mais caso a emenda Ibsen, como está sendo chamada, fosse aprovada. Estas declarações podem ser consideradas um grande marco: deve ter sido a primeira vez na história que citam publicamente o destino dos recursos advindos dos royalties do petróleo.
Outro ponto a ser colocado em debate, além dos já expostos, é a oportunidade de, com os recursos do petróleo - se bem aplicados, com transparência - promover o desenvolvimento nacional de forma mais justa, homogênea e consistente. Se os recursos da camada do pré-sal seguirem a regra vigente de distribuição dos royalties, o Rio de Janeiro tende a tornar-se um estado cada vez mais rico, mas não tende, necessariamente, a resolver seus problemas sócio-econômicos. Com a aplicação destes recursos, a região sudeste tende a afastar-se ainda mais, em relação a avanço econômico, de outras regiões do país, o que, invariavelmente, acarretaria em um aumento no já saturado fluxo migratório para a capital e região metropolitana. Sendo assim, o que já está inchado, prestes a explodir, tende a expandir-se aos limites do aceitável e, como já aconteceu e acontece, o crescimento desordenado afundará ainda mais em problemas a cidade já conhecida por seus contrastes sócio-econômicos.
Também em relação à aplicação dos recursos, em nenhum momento foi abordada a questão de que o petróleo é um recurso finito - além de ser um grande poluente - e que, enquanto o país colhe os frutos de sua exploração, deve preocupar-se tanto em evitar os impactos da exploração quanto em investir na pesquisa de energias limpas e renováveis, visando, desse modo, o desenvolvimento sustentável de uma nação que venha a se tornar independente do petróleo muito antes deste se esgotar.
Por fim, mas não menos importante, cabe lembrar a todos os envolvidos no debate que, hoje em dia, o petróleo está longe de ser nosso. Enquanto os campos de exploração vão sendo leiloados, a gasolina e o transporte público ficam cada vez mais caros. A fatia que cabe a nós, brasileiros, varia entre 5 a 10% do que é extraído dos poços de petróleo e gás natural. Dessa pequena parcela, quando a extração é feita nas plataformas continentais, os Estados e Municípios - apenas os afetados direta ou indiretamente - recebem aproximadamente 22,5%. Na ponta do lápis, a cada R$100,00 de óleo bruto extraído do pré-sal, o Estado e o Município afetado recebem, em conjunto, entre R$2,25 (não dá nem para pegar um ônibus) e R$4,50.
Sendo assim, para finalizar, ao invés de aproveitarmos a situação para colocar em pauta temas como a transparência da administração pública, o desenvolvimento equilibrado e sustentável da nação e os direitos da mesma sobre o petróleo explorado em seus territórios, infelizmente nos rendemos ao abjeto espetáculo de alguns pombos pomposos, que disputam migalhas em praça pública.

20.5.09

O ainda idiota

Durante a 5ª Cúpula das Américas, Hugo Chávez, entregou em mãos, a Barack Obama, o livro “Veias Abertas da América Latina”, do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano. O economista Maílson da Nóbrega tratou de tentar rebater a “ofensa” cometida pelo venezuelano em um artigo publicado na revista Veja. Em sua tentativa de desmoralizar o ato, além de nos deixar ávidos por algum sinal de argumentação, o economista exibe em detalhes seus preconceitos ideológicos, políticos e sua grande capacidade de dissertar acerca de um livro que não leu.
O artigo pode ser lido aqui.
No artigo destacam-se os seguintes trechos: “Galeano tem uma resposta fácil (e equivocada) para o atraso relativo da América Latina: a exploração de suas riquezas pelos colonizadores espanhóis e portugueses, e depois pelos EUA”, “Enquanto Galeano escrevia suas bobagens, surgiam estudos sérios para explicar por que a América Latina perdeu para os EUA e o Canadá o lugar de região mais rica das Américas”, “Culpar a 'espoliação imperialista' pela pobreza latino-americana é mistificação derivada de preguiça mental e cegueira ideológica”.
Pelo que se lê nas frases acima, deduz-se que o autor das mesmas não leu a obra de Eduardo Galeano, uma vez que “Veias Abertas da América Latina” trata-se de uma análise histórica, baseada em fatos e pessoas que construíram cada país do nosso continente e que traça o contexto de uma América Latina do anos 70, quando estouravam por todos os lados ditaduras militares apoiadas - abertamente ou por debaixo dos panos - pelos EUA. Além disso, o livro trata de esmiuçar não só a “espoliação imperialista” em termos econômicos, mas também políticos, culturais e, muitas vezes, militares. Sendo assim, quando esta obra é reduzida a um dedo apontado para os EUA como culpados pela pobreza da América Latina, só se pode deduzir que tal opinião foi baseada no achismo.
Em relação aos escassos argumentos do artigo, o economista enumera alguns motivos para a pobreza da América Latina - em detrimento do enriquecimento dos EUA e Canadá - retirados dos estudos do economista britânico Ronald Coase e dos economistas estadunidenses Douglas North, Stanley Engerman e Kenneth Sokoloff Entre estes argumentos, cita que, em 1880, a renda per capita do Brasil era semelhante à dos EUA, mas que as instituições latino-americanas, com pouco respeito ao direito de propriedade e aos contratos, era desfavorável ao desenvolvimento do capitalismo. Também diz que a fonte das nossas desigualdades sociais na América Latina é derivada do trabalho escravo, no caso do Brasil, na monocultura da cana-de-açúcar, e cita que, nos EUA, com pequenos agricultores e artesãos, formou-se uma ampla classe média, o que facilitou a distribuição da renda. Além destes fatores, o autor aponta o protestantismo como incentivador da educação, que por sua vez estabeleceu os alicerces do desenvolvimento, e cita as políticas de privilégios, de substituição de importações, descaso com educação e com a inflação que aumentaram as desigualdades na América Latina.
Considerando apenas os fatores que formaram a base para o crescimento dos EUA, não há problema algum, mas, ao tentar desmistificar a pobreza da América Latina, eximindo de culpa a exploração desde o período colonial, o economista comete algumas pequenas gafes, talvez por esquecimento. O autor esquece, por exemplo, que a venda de escravos ao Brasil interessava a Portugal, Espanha e, principalmente, à Inglaterra. Esquece também que a monocultura de cana-de-açúcar veio a esgotar o solo do Nordeste e que a especulação, anos mais tarde, reduzindo o preço do açúcar ao nada, veio a dar o último golpe em um nordeste brasileiro que já tinha esgotado boa parte de suas terras produtivas. Vale lembrar também que, investindo na educação, o Paraguai conseguiu estabelecer as bases para o desenvolvimento econômico, mas foi massacrado, não por Brasil e Argentina, mas pela Inglaterra, que precisava de mercado para suas indústrias. Nessa arte do esquecimento, o autor esquece também que a fórmula mágica do desenvolvimento dos países do primeiro mundo não é, nem nunca foi, o liberalismo econômico, mas sim o protecionismo. Esquece também que os números não dizem tanto quanto as pessoas e os fatos e esquece, inclusive, que quem estava comandando o Ministério da Fazenda quando o Brasil bateu recordes de inflação era ele próprio, com planos mirabolantes, interferindo nas poupanças e nos intocáveis contratos.
Para finalizar, o artigo supracitado intitula-se “Ainda o idiota”. O título e algumas citações foram retirados do livro “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano”, escrito por Plinio Apuleyo Mendoza, embaixador colombiano em Lisboa, Carlos Alberto Montaner, dono de editora cubano que reside em Madri, e Álvaro Vargas Llosa (não confundam com o poeta Vargas Llosa), peruano que reside em Washington. Ironicamente, o termo idiota, em sua origem grega “idiotes”, era utilizado para designar os homens que preocupam-se com seus interesse privados ao invés de preocuparem-se com os interesses da nação. Ao que me parece, Eduardo Galeano, que mora em Montevidéu, estava certo quando escreveu o livro “De Pernas para o Ar” dizendo que o mundo estava ao contrário: afinal, os que o acusam de idiota são os que defendem o liberalismo econômico e o consequente desmonte das suas próprias nações em prol dos interesses privados. Enquanto os economistas continuam citando os “ventos da economia”, pessoas como Eduardo Galeano sabem que estes ventos só decidem para que lado os mais pobres vão cair e, polêmicas à parte, Chávez fez muito bem em dar a Obama um livro que Maílson deveria ter lido, mas que ainda não leu.

1.5.09

O ainda idiota

Durante a 5ª Cúpula das Américas, Hugo Chávez, entregou em mãos, a Barack Obama, o livro “Veias Abertas da América Latina”, do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano. O economista Maílson da Nóbrega tratou de tentar rebater a “ofensa” cometida pelo venezuelano...

Leia o artigo completo na seção "Internacional" da edição de maio do Algo a Dizer.

20.4.09

O balanço da balança cultural

Na grande mídia, começam a aparecer os protestos contra a ousadia do governo de tentar acabar com a oligarquia da cultura vazia. Sem a menor cerimônia, com as alterações da Lei Rouanet, o Ministério da Cultura ameaça dar cabo - ou ao menos reduzir a proporção desigual - do monopólio dos incentivos fiscais e, com a mesma cajadada, derrubar o marketing, que atualmente está montado às costas da pobre cultura, que mal anda com as próprias pernas.
Atualmente, a balança cultural está tão desequilibrada quanto a sócio-econômica. De todos os projetos aprovados, estima-se que 3% dos grandes produtores, principalmente no eixo Rio-São Paulo, mas também de outras metrópoles, captam mais de 50% dos recursos destinados pela Lei. Além disso, grande parte dos projetos aprovados pela Rouanet são de proponentes (artistas, grupos, companhias) consagrados pela própria indústria que os cria - e que se alimenta deles. Não que ser consagrado pela mídia seja prova incontestável de qualidade, mas atrai público e, atraindo público, atrai o interesse das grandes empresas. É um ciclo vicioso, a base da Indústria Cultural, lá da Escola de Frankfurt, todo mundo já ouviu falar e, se não ouviu, devia ao menos pesquisar no Google. Alguém pode dizer: “O que é que tem de mais? Sempre aconteceu, as grandes empresas sempre se interessaram por associar a sua imagem às obras, mostras, shows e eventos com apoio da mídia e que contassem com grande público”. Sim, sempre, mas sem o apoio do governo (leia-se, nosso dinheiro). O que acontece com a Lei Rouanet atualmente é que a empresa tem um abatimento de imposto por investir nos projetos culturais. Uma nobre e louvável ação? Não necessariamente. Afinal, as empresas selecionam os projetos baseando-se em critérios quantitativos, não qualitativos. As empresas investem nas obras que adaptam-se às necessidades das mesmas, não o contrário. A culpa não é das empresas “malvadas” que importam-se apenas com o lucro, é da Lei que dá brecha para as empresas investirem o nosso dinheiro no marketing delas. A Gérson o que é de Gérson, afinal, se a lei permite, não há nada errado.
Ainda que os departamentos de marketing sejam um dos “vilões” nesta história (e em várias outras), não são os únicos. Há dezenas de proponentes consagrados, com capacidade de, no mínimo, sustentar sua produção com as próprias pernas e que, além de receber os recursos de incentivo, cobram ingressos absurdos e, como se não bastasse, ainda fazem lobby pelo fim da meia-entrada ou qualquer outra ação que reduza um pouco seu pedaço do bolo. Em alguns casos, para piorar, priorizando o encaixe nas belas molduras estabelecidas pelos departamentos de marketing, os produtores acabam esquecendo-se do conteúdo de seus projetos. Ainda cabe citar que a mesma indústria que designa que uma coisa é arte, rotula todo o resto de folclore, relevando ao terceiro plano os projetos que já estão geograficamente à margem dos grandes centros. Deste modo, agrega valor aos produtos culturais que oferece e menospreza a diversidade cultural, a arte e os costumes de grande parte do país.
Sendo assim, temos grandes produtores e grandes empresas associados e com um único objetivo: atingir um público. Qual público? O público consumidor de cultura, oras. Quem vai ao teatro, shows, eventos, mostras, compra livros, CDs, telas e consome os mais diversos produtos e serviços oferecidos sob o pretexto cultural. Em um país no qual o salário mínimo equivale aproximadamente a 27,5 entradas para o cinema (55 meia-entradas), 22 ingressos para peças de teatro, 11 livros (44 se for na versão pocket) ou 7 grandes shows, qual é esse público? Em grande parte, este público é formado por três grupos: o dos estudantes, principalmente universitários, o dos que são, ao mesmo tempo, apreciadores e produtores de cultura e dos que buscam status através de seu refinado paladar cultural. Ou seja, em grande parte, este público é formado pelos frequentadores de cafés e outros locais tranquilos, onde pode-se fumar um cigarro e tomar um café expresso ou um cappuccino por módicos R$5,00. Um público disposto a gastar mais pela qualidade, pela exclusividade ou apenas pelo status, o que o torna muito atraente para as grandes marcas.
Resumindo, a atual Lei Rouanet tornou-se a Política do Café com Cigarro, nas mãos de uma oligarquia, e atuando como Lei de incentivo ao marketing cultural, o nome oficial da submissão da cultura ao marketing. Com base neste contexto, em que o marketing faz a balança cultural pender para um lado, o Ministério da Cultura pretende alterar a Lei Rouanet de modo a democratizar tanto a distribuição de recursos quanto o acesso à cultura.
Em relação à democratização da distribuição dos recursos, a nova Lei estabelece mudanças nos critérios e no processo de seleção e, principalmente, o enquadramento em categorias de investimento, definido por conselho paritário da sociedade civil e governo, visando destinar maior porcentagem de abatimento - maior facilidade de captação de recursos - para os projetos que mais precisarem.
Visando à democratização do acesso à cultura, a Nova Rouanet estabelece que, após um ano e meio de sua realização, as obras que receberam incentivo fiscal podem ser reproduzidas pelo governo com fins pedagógicos e educacionais. Ou seja, um ano e meio após a realização de uma obra financiada pelo poder público, ela pode ser exibida pela TV pública ou educacional, reimpressa, em tiragem limitada de material pedagógico, e utilizada pelo governo sem que o mesmo tenha que arcar com os custos referentes a direitos autorais. Nada mais justo, afinal, há de existir alguma contrapartida, em relação ao acesso, pelo investimento do nosso dinheiro. Além disso, a Nova Lei estabelece critérios para a redução do preço de obras que recebem o incentivo fiscal e também prevê a criação do Bolsa Cultura, um vale, acrescido aos direitos do trabalhador, destinado a aquisição de produtos culturais. Afinal, não basta que a produção seja estimulada, se o consumo permanecer estagnado. O propósito da Lei não é, nem nunca foi, tornar a cultura dependente do governo. O que se propõe é um incentivo à cultura para que, a longo prazo, tanto a produção quanto o consumo estabeleçam equilíbrio em um patamar muito mais elevado do que os índices irrisórios apresentados atualmente.
As ações do Ministério já começaram há algum tempo, com a criação dos Pontos de Cultura, distribuídos por todo o país. Através do efetivo funcionamento destes pontos, haverá tanto a possibilidade do acesso, pela proximidade com a comunidade, como a disponibilização de um espaço para a produção e exibição de novos projetos culturais. Agora cabe à sociedade civil, a cada um de nós, analisarmos o contexto atual, verificarmos as propostas de mudança, não nos deixarmos levar pelos argumentos do lobby da Cultura (que ao menos se diz da Cultura) e pressionarmos nossos parlamentares para que o texto seja aprovado. Além destas atitudes essenciais, os mais interessados podem acessar o endereço virtual voltado à Lei Rouanet: http://blogs.cultura.gov.br/blogdarouanet/, no qual está disponível o link da Consulta Pública, um exemplo de gestão participativa que visa recolher todos os argumentos e sugestões para o texto da Nova Lei Rouanet de modo a torná-la mais completa, democrática e efetiva possível.
Para finalizar, gostaria apenas de dizer que eu, como apreciador e produtor cultural, que não fuma, mas, às vezes, arrisca um café, não dispenso o pão de queijo, a tapioca, o chimarrão, o tererê, o biju, o caldo-de-cana, o acarajé, o sacolé, a pamonha e muitas outras iguarias, produzidas pela nossa gente e relevadas ao segundo plano.

9.4.09

O balanço da balança cultural

Na grande mídia, começam a aparecer os protestos contra a ousadia do governo de tentar acabar com a oligarquia da cultura vazia. Sem a menor cerimônia, com as alterações da Lei Rouanet, o Ministério da Cultura ameaça dar cabo - ou ao menos reduzir a proporção desigual - do monopólio dos incentivos fiscais e, com a mesma cajadada, derrubar o marketing, que atualmente está montado às costas da pobre cultura, que mal anda com as próprias pernas...

Leia o artigo completo na edição de abril do Algo a Dizer.